Unhas quebradiças: por que descamam, racham e partem (e o que fazer)
Unhas quebradiças, que descamam ou que se partem afetam até 20% das pessoas. Esse quadro é especialmente comum em mulheres acima dos 50 anos e pode estar associado a padrões como a onicossquizia (descamação em camadas). No dia a dia, muitas pessoas percebem as unhas rachando com facilidade em tarefas simples, o que gera frustração, desconforto e até pequena dor quando as pontas prendem na roupa ou em objetos.
Embora produtos como endurecedores de unhas tragam alívio rápido, o efeito costuma ser temporário porque nem sempre atuam sobre as causas. A boa notícia é que observar possíveis fatores por trás do problema — de hábitos cotidianos à alimentação — pode ajudar a sustentar unhas mais saudáveis ao longo do tempo.

Um sinal sutil do corpo? O que esta guia vai te mostrar
E se essas mudanças forem recados suaves do seu corpo sobre pontos que valem atenção? A seguir, você vai conhecer 10 fatores menos óbvios que contribuem para unhas frágeis, com base em revisões e estudos médicos, além de passos práticos para aplicar já. Muitas vezes, o resultado vem de ajustes pequenos e consistentes — e há um hábito diário que conecta vários dos itens abaixo.
O impacto no cotidiano: por que unhas fracas incomodam tanto
Com o passar dos anos — principalmente após os 35–40 — as unhas podem deixar de ser firmes e flexíveis e se tornar mais frágeis. Levantamentos e revisões em dermatologia apontam que cerca de 1 em cada 5 adultos percebe maior fragilidade, com taxas mais altas em mulheres e em faixas etárias mais avançadas. Atividades comuns como digitar, cozinhar ou jardinagem viram lembretes constantes quando a unha lasca, abre em camadas ou quebra.
Além da aparência, a quebra repetida pode expor camadas mais sensíveis, causando ardor, fissuras e pequenos “rasgos” que demoram a cicatrizar. Por isso, compreender o “porquê” é o caminho para um cuidado mais sustentável — e não apenas cosmético.
Causa 1: Baixa ingestão de biotina (vitamina B7) — peça-chave da resistência
A biotina (vitamina do complexo B) participa do suporte à produção de queratina, proteína principal das unhas. Pesquisas — incluindo um estudo suíço frequentemente citado — observaram que, em algumas pessoas com unhas quebradiças, a suplementação de biotina se associou a cerca de 25% de aumento na espessura da lâmina ungueal.
Exemplo prático: uma profissional na casa dos 40 notou fendas verticais e unhas abrindo com facilidade. Após orientação médica, aumentou alimentos com biotina (como ovos, amêndoas e espinafre) e usou suplemento. Em 4 a 8 semanas, percebeu as unhas mais firmes.
Autoavaliação: com que frequência ovos, oleaginosas (nozes/amêndoas), sementes ou folhas verdes entram na sua rotina? Se quase nunca, pode valer reforçar.
Causa 2: Ferro insuficiente — menor suporte ao transporte de oxigênio
O ferro é essencial para levar oxigênio às células, inclusive às da matriz da unha (onde a unha se forma). Níveis baixos podem contribuir para unhas mais finas e, em alguns casos, para o formato “em colher” (coiloniquia).
Exemplo prático: um homem no fim dos 40 relatou cansaço junto de unhas quebradiças e com curvatura incomum. Após exames confirmarem ferro baixo, incluiu fontes como carne vermelha magra, lentilhas e espinafre, combinando com alimentos ricos em vitamina C para melhorar a absorção. A melhora foi gradual ao longo de meses.
Fique atento: leito ungueal muito pálido e fadiga frequente podem caminhar juntos em alguns casos.
Causa 3: Pouca proteína — enfraquecendo a estrutura de queratina
Como a unha é formada majoritariamente por queratina, uma ingestão regular de proteína ajuda a manter a integridade e a resistência. Dietas com proteína insuficiente podem se refletir em unhas mais moles e que quebram com facilidade.
Exemplo prático: uma professora na casa dos 50 percebeu que suas refeições “leves” tinham pouca proteína. Ao incluir frango magro, feijões/leguminosas, iogurte grego e peixe, notou unhas mais resistentes em cerca de 6 a 12 semanas.
Checklist rápido: você costuma ter alguma fonte de proteína na maioria das refeições?

Causa 4: Desidratação persistente — o fator de “umidade” que passa despercebido
Assim como a pele, as unhas dependem de hidratação para manter flexibilidade. Quando a ingestão de líquidos é baixa por muito tempo, as unhas tendem a ficar secas e mais propensas a trincar e descamar.
Simplifique: procure chegar a 8 copos de água por dia (ajuste conforme orientação individual). Some alimentos ricos em água, como pepino, e chás de ervas — preferindo versões sem cafeína à noite — para apoiar a hidratação.
Causa 5: Exposição frequente a químicos agressivos
Contato repetido com detergentes, solventes e removedores com acetona pode retirar os óleos naturais, deixando a unha mais vulnerável. Estudos indicam que essa exposição cumulativa piora a fragilidade com o tempo.
O que ajuda:
- Usar luvas ao limpar a casa ou lavar louça
- Preferir removedores sem acetona quando possível
- Reduzir o contato prolongado com produtos de limpeza
Causa 6: Clima seco, frio ou extremos de temperatura
Ar frio e com baixa umidade “puxa” água das unhas, principalmente no inverno. Ambientes internos com aquecimento e vento também agravam.
Estratégias úteis:
- Aplicar creme para cutículas ou hidratante de mãos várias vezes ao dia
- Usar luvas ao sair no frio e vento
- Reaplicar hidratante após lavar as mãos
Causa 7: Variações da função da tireoide
Alterações da tireoide (como hipotireoidismo) são relacionadas em revisões médicas a unhas com estrias, crescimento mais lento e fragilidade.
Se houver sinais associados — como fadiga, mudança de peso ou sensibilidade ao frio — um exame de sangue pode esclarecer. Quando indicado, o tratamento orientado por profissional costuma refletir na aparência das unhas ao longo do tempo.
Causa 8: Condições de pele, como psoríase
A psoríase pode atingir as unhas e causar pontinhos (pitting), mudança de cor, descolamento e rachaduras.
Em geral, tratar a condição de base com acompanhamento adequado tende a melhorar também as unhas.
Causa 9: Infecção fúngica (micose)
Unhas amareladas, mais grossas e quebradiças podem indicar micose, especialmente após exposição frequente à umidade (piscinas, calçados fechados, suor).
O tratamento costuma ser direcionado (muitas vezes com prescrição) e o aspecto melhora conforme a unha saudável cresce — o que pode levar meses.

Causa 10: Estresse físico cumulativo e envelhecimento natural
Usar as unhas como ferramenta (abrir embalagens, raspar superfícies) provoca microlesões repetidas. Além disso, com a idade, a unha tende a reter menos umidade e crescer mais devagar.
Hábitos que fazem diferença:
- Manter as unhas mais curtas
- Hidratar mãos e cutículas com frequência
- Evitar usar as unhas como “alavanca” ou instrumento
Resumo rápido: causas, sinais e o que pode ajudar
- Baixa biotina → descamação/rachaduras → ovos, nozes, folhas verdes (e suplementação orientada) → 4–8 semanas
- Ferro baixo → afinamento/“unha em colher” → carne magra, lentilhas, espinafre + vitamina C → 2–6 meses
- Pouca proteína → unhas moles/quebram fácil → carnes magras, leguminosas, iogurte grego, peixe → 6–12 semanas
- Desidratação → ressecamento/fragilidade → mais água + alimentos hidratantes → dias a semanas
- Químicos agressivos → perda de óleos naturais → luvas e produtos mais suaves → contínuo
- Clima extremo → maior quebra → hidratação + proteção → sazonal
- Tireoide → estrias/crescimento lento → avaliação médica → variável
- Psoríase → pitting/descoloração → cuidado direcionado → semanas a meses
- Fungos → espessamento/amarelado → tratamento específico → meses
- Trauma + envelhecimento → microdanos cumulativos → cortar curto, hidratar, evitar “ferramenta” → contínuo
Apoio inteligente: tratar a raiz vs. só “maquiar” o problema
- Endurecedores/esmaltes: efeito rápido, mas geralmente temporário
- Óleos tópicos isolados: ajudam na superfície, utilidade moderada
- Ajustes em dieta e hidratação: atacam fundamentos, ótima sustentação
- Proteção (luvas, menos acetona, menos trauma): prevenção com bom custo-benefício
- Avaliação profissional quando necessário: mais efetiva para causas específicas (tireoide, psoríase, fungos, anemia)
Comece hoje: passos práticos para unhas mais fortes
- Controle sua hidratação: use lembretes para atingir 8+ copos (ou o recomendado para você).
- Inclua 1 alimento rico em biotina por dia (ex.: ovo no café da manhã ou amêndoas como lanche).
- Adote luvas para tarefas com água e produtos químicos.
- Hidrate cutículas de manhã e à noite com um creme simples.
- Observe padrões (cansaço, frio excessivo, alterações na pele). Se persistirem, considere um check-up.
A consistência costuma pesar mais do que soluções rápidas: muitas pessoas notam mudanças positivas em semanas, conforme a unha cresce.
Perguntas frequentes (FAQ)
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Quanto tempo leva para ver unhas mais fortes após mudanças?
Em geral, ajustes nutricionais e de rotina podem mostrar efeito em 4–12 semanas, porque as unhas crescem cerca de 3–4 mm por mês. -
Unhas quebradiças sempre indicam algo grave?
Na maioria das vezes, não. Frequentemente estão ligadas a hábitos, clima ou exposição a químicos. Ainda assim, mudanças persistentes merecem avaliação para descartar outras causas. -
Suplementos resolvem sozinhos?
Podem ajudar em casos específicos (como biotina para algumas pessoas), mas os melhores resultados costumam vir da combinação de alimentação, hidratação e proteção.
Aviso importante
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui orientação médica. Procure um profissional de saúde para recomendações personalizadas, especialmente antes de iniciar suplementos ou se os sintomas persistirem.
Unhas podem funcionar como sinais silenciosos do seu bem-estar geral. Experimente uma mudança hoje e observe como elas respondem ao longo da próxima semana.


